AH! SE MEU LIVRO FALASSE!

O imaginário humano é uma fonte de infindas possibilidades. Nele não há o impossível, pois mesmo o que é sabidamente irreal pode existir no pensamento. E quando o pensador é criança, tudo é ainda mais fantástico: até as pedras falam, as coisas inanimadas ganham movimentos, os animais vivem tramas mirabolantes em cenários de sapos e princesas.
Meio que brincando, o projeto circulando livros adotou como chamado a frase “leve seu livro para conhecer outros leitores”, talvez inspirado na tradição das fábulas, mas também refletindo uma maneira de encarar o livro, como um ente querido, um amigo, um confidente. E não é que a população de Crateús gostou da brincadeira!...

Estes dias 26 e 27 últimos foram apenas o primeiro de 4 finais de semanas em que o projeto há de transformar a praça do anfiteatro num cenário de feira cultural, onde o livro é o personagem mais importante, e mais de 500 livros deixaram as prateleiras onde permaneciam há anos, bateram a poeira e andaram de mãos em mãos, enchendo os olhos de tantos crateuenses amantes da leitura, despertando o gosto de jovens alfabetizados, e revelando aos olhos de futuros leitores que livros existem e que podem proporcionar muita alegria, saber e prazer.

Em ambos os dias, durante as quase seis horas de exposição, milhares de pessoas rodearam os expositores, com flagrantes de encontros e reencontros emocionados entre pessoas e velhos amigos livros. O sino da matriz esteve acompanhado de outros sons, que outrora até já se ouviram, mas que ultimamente estavam pouco freqüentes naquele recinto, como o respulengo de sanfonas, os bordões de violas e violões, as vozes de nossos cantores, as contações de histórias e brincadeiras infantis e até as palhaçadas de nossos artistas circenses. Havia a sensação de que um novo ingrediente, a cultura, estava a compor com o oxigênio o ar que todos respiravam.

O circulando livros mostrou que boas idéias bem executadas podem sim transformar coisas aparentemente difíceis em possibilidades concretas que proporcionem ao povo um mundo mais cheio de sentidos. As pessoas que lá estiveram podem assim dizer e testemunhar e, se o seu livro falasse, pediria por certo para você dar a ele o presente de ir à praça nas próximas feiras para compartilhar também da alegria desta festa. Dizendo melhor, se seu livro falasse, não, pois não é que ele fala! Basta que você lhe dê um pouco mais de ouvidos, ou melhor, de olhos e atenção, então ele vai lhe convidar para, nas próximas ocasiões, adquirir mais livros e fazer ou rever mais amigos.
 
  Montagem da Feira - Foto: Wellington Martins/2009
 
  Foto: Wellington Martins/2009
   
 
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