
A expressão escrita/leitura representa uma das mais importantes conquistas da humanidade de todos os tempos. Pela escrita é possível as gerações ancestrais registrarem as suas experiências para as posteridades. E graças ao domínio da leitura, cada nova pessoa pode apoderar-se de toda a cultura humana construída nas sucessões das eras.
Ler, então, é como viajar no tempo, poder voltar ao ontem e percorrer o itinerário dos séculos passados, folheando os traços guardados especialmente para nós por tantas civilizações.
Ler é como viajar no espaço, ir a todos os continentes, visitar tribos e povos, aprender as línguas estrangeiras. É como ir ao espaço, saber como é viajar num foguete ou como é a terra vista da lua.
Ler é como viajar no pensamento, no sentimento nosso e de todos. É conhecer o que os outros aprenderam, pensaram, inventaram e sentiram. É poder conversar com as subjetividades dos sábios, dos loucos, dos românticos.
Ler é como alcançar o impossível, dar existência real ao imaginário, entrar no enredo de reis e pebleus, fadas e bruxas, deuses e demônios.
Ler, enfim, representa a sugestão de infindas coisas, seres, viveres, saberes, sentires, estares; é o espetáculo do dizer de todos os verbos, adjetivos, figuras, palavras já inventados ou ainda por vir.
Ao nos deparamos com um livro em nossas mãos, saibamos que aquele que o escreveu o fez para nós e por nós; que guardou nele o melhor que tinha e sentiu. O livro é um presente que nos é dado pelo seu autor e que acontece no momento da leitura.
E como reza as nossas tradições culturais, presente a gente sempre acolhe com todo carinho.
Por Elias de França (escritor/poeta)